A Coruña das Mulleres

Somos un grupo de persoas que traballa no coñecemento da historia das mulleres na cidade da Coruña

Pilar Castillo Sánchez

Pilar Castillo
Colección da Familia Castillo
Caixa 245 nº 43, Coleção Família Castillo, Arquivo da Real Academia Galega.

Pilar Castillo Sánchez foi umha pianista galega de reconhecimento internacional. Nasce na Corunha a 11 de maio de 1890 (Pico Orjais, 2018b) no seio dumha família abastada, filha da professora Salvadora Sánchez e do engenheiro Enrique Castillo. Salvadora, protegida do compositor luguês J. Montes quem lhe forneceu estudos musicais[1] , destaca-se por formar mulheres pianistas[2] . No entanto, Enrique é delineante municipal e mestre de desenho na corunhesa Escola de Artes e Ofícios.

Pilita, carinhosamente conhecida, recebe de sua mãe as primeiras aulas de piano. Posteriormente, forma-se com Eugenia Osterberger (López-Suevos et al., 2017:48) e Canuto Berea Rodrigo.

Pilar Castillo, Dora Castillo e Honoria Goicoa
Pilar Castillo, Dora Castillo e Honoria Goicoa. “Vida Gallega”, 15 de julho de 1910.

Conforme à imprensa local de inícios do século XX, estava a ser projetada (à moda da época) como nena prodígio, até o ponto de aparescer a sua idade falseada numerosas vezes (Pico Orjais, 2018b). Na outra cara da moeda, as suas irmãs María e Dora, esta última brilhante soprano, quem vão ficando aos poucos relegadas nesta pretendida compentência. De nenas participam em concertos benéficos e incontáveis veladas artísticas de pequeno formato (Cozinha Económica, Escolas Populares Gratuitas, Granja Agrícola de Monelos, etc), tocando junto a outras crianças da inteletualidade/burguesia corunhesa como Eladio Rodríguez Yordi ou José Doncel.

Ao igual que as discípulas de Salvadora, a filha sua Pilar vai para Santiago cursar estudos formais de música na Sociedad Económica de Amigos del País, sendo o seu mestre José Gómez “Curros”[3] (Moar, 1927:1). Em várias ocasiões apresenta-se para professora no Conservatório de Madrid, mas sem constância de ter atingido a vaga.

Pilar Castillo em Feminal
Pilar Castillo em Feminal, umha das revistas mais prestigiosas do feminismo catalá. “Feminal”, 28 de abril de 1912.

Paralelamente, realiza giras musicais por Madrid (1911) e Barcelona, Mónaco e Niça (1912). Na altura morava nesta cidade occitana a compositora galega Osterberger, quem a acolheu durante a sua estáncia invernal e de certo promocionou a jovem intérprete entre as elites francesas. Também é de notar a sua relação com Enrique Granados, o acolhimento na sua Academia barcelonina e, mesmo, a sua docência (Castelo, 1981:27). Com tudo, não podemos concluir tal extremo. Seja como for, o seu brilhante nível interpretativo fica patente no repertório executado, especialmente nas virtuosíssimas obras de Listz e Chopin. Também foi contratada para umha tournée por Bélgica, Holanda e Luxemburgo co violoncelista Charles Van Isterdael (Anónimo, 1913:26), sem dar com mais notícias sobre o assunto. Nesta etapa publica a sua composição mais conhecida “Maruxiña”[4], moinheira para piano sobre um poema de Eduardo Pondal. Também acompanha no Teatro Rosalia cantoras de reconhecido prestígio como Aga Lahowska, colaboradora de M. de Falla. Em 1916 percorre o País atuando em parceria coa soprano Eloísa de la Fuente, quem posteriormente casaria co músico Luís Brage.

Vida Gallega, 30 de julho de 1913
“Vida Gallega”, 30 de julho de 1913.

Ainda sendo reconhecida como pianista, Pilar tem umha outra faceta musical: o violino. Forma-se neste instrumento com Constante Suárez Chané, musico burgalés afincado na Corunha. Em 1917 organiza-se, dentro da Sociedade Filarmónica da Corunha, a Agrupación de Instrumentos de Arco, dirigida por Canuto Berea e da que fai parte Pilar como violinista primeira, junto a Carmela Valcárcel. Durante esse ano atuam coa agrupação em digressão polas principais vilas e cidades da Galiza.

A relação familiar coa inteletualidade corunhesa é extensa: a vizinhança com Murguia, Martínez Salazar ou Pondal; os cafés-concerto no fogar, as reuniões de salão no Circo de Artesãos ou cos Muñiz na Granja Agrícola, etc. Mas neste contexto, a pressão sobre as irmãs Castillo, em especial sobre Pilar, deveu ser grande até o ponto de renunciar à sua própria carreira artística. Deste jeito figura a descrição do fundo familiar custodiado na RAG:

De carácter nervioso e introvertido custáballe moito relacionarse e os recitais afectábanlle dun xeito tan forte que chegaba autolesionarse. Aínda que era concertista moi afamada e admirada polo público estas dificultades do seu carácter a levaron a abandoar os concertos e dedicarse á docencia, foi profesora no Conservatorio situado en Riego de Agua, na Coruña. (Fernández-Couto, 2014)

Por consequência, o ronsel de moça-prodígio vai-se esvaecendo cos anos em escassas notas de jornais, mentres centra a sua vocação pianística em formar novos intérpretes. Não sendo em honrosas exceções, por exemplo o seu nomeamento como Correspondente da Academia Galega, a sua cidade natal vai-na esquecendo aos poucos até ficar como tantas outras mulheres só em vagos recordos da memória popular de quem assistiu às suas aulas. Falece no seu domicílio corunhês da rua Fontán no 30 de junho de 1952.

Manuscrito original do poema que E. Pondal dedicou a Pilar Castillo em 1909
Manuscrito original do poema que E. Pondal dedicou a Pilar Castillo em 1909. Caixa 425 nº 52, Coleção Família Castillo, Arquivo da Real Academia Galega.

Um Eduardo Pondal idoso dedica-lhe em janeiro de 1909 este poema (Castillo, 1909):

As misteriosas e sublimes notas,
chéas d’afeitos nobres e profundos,
como que veñen de regions ignotas,
nos arrebatan a millores mundos.

Tuas mans pequeniñas e garridas,
d’inspiración magnífica agitadas,
escreben esas notas nunca ouvidas,
que nos veñen de prayas apartadas.

 

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[1] Em Lugo estendeu-se por anos o ruge-ruge de que Salvadora era filha não reconhecida de Montes, isto resolveria o feito de figurar nos documentos como filha de pai incógnito. Neste suposto, logicamente a nossa biografada seria neta de Montes.

[2] Entre elas podemos citar Teresa Fole, irmã do escritor Ángel Fole.

[3] Na Sociedad Económica havía também um “coro de señoritas” que dirigia o próprio Pepe “Curros”

[4] Poucas são as composições que nos legou. Para além de “Maruxiña”, é conhecida “Durme” com letra do malogrado ator Bermúdez Jambrina.

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Bibliografia

Anónimo (1913). Noticias. Revista Musical [Bilbo], ano V nº3 (março de 1913).

Castelo, T. (1981). Rafael sebastiá se sentó ante el piano cuando sólo tenía siete años [entrevista]. Hoja del lunes, nº1793 (2 de novembro de 1981).

Fernández-Couto, M. (2014). Descrición do fondo Familia Castillo do Arquivo da Real Academia Galega. http://arquivo.galiciana.gal/arpadweb/es.ga.15030.arag/gl/consulta/registro.do?id=1205465 (revisado a 11-11-2020).

López-Suevos, B., Lorenzo, S. de, e Martínez, R. (2017). Eugenia Osterberger, a compositora galega da Belle Époque 1852-1932. Editorial Ouvirmos.

Moar, J. M. (1927). Músicos gallegos: Pilar castillo. El Compostelano, n o 2196 (15 de julho de 1927).

Pico Orjais, J. L. d. (2018a). nº219 Pilar Castillo, pianista. Alguns apontamentos biográficos. https://ilhadeorjais.blogspot.com/2018/03/n-219-pilar-castillo-pianista-alguns.html (revisado a 4-11-2020).

Pico Orjais, J. L. d. (2018b). nº 225 Pilar Castillo, pianista. Alguns apontamentos. II Mentir na idade. https://ilhadeorjais.blogspot.com/2018/07/n-223-pilar-castillo-pianista-alguns.html (revisado a 4-11-2020).

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“Maruxiña [Grabación sonora]: muiñeira Pilar Castillo. Lonxe d’a terriña : balada gallega / J. Montes y A.J. Pereira”. Pista . Xénero: Other.

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Moncho do Orçam
CC 4.0 BY-ND

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